Fonte: Ministério da Justiça - Assessoria de Comunicação
Brasília, (MJ) 08/03/2010 – A emoção marcou o julgamento dos primeiros processos da sessão especial da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça desta segunda-feira (8). A sessão, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, relembrou a luta, as dificuldades e o sofrimento de 15 mulheres perseguidas politicamente pelo regime militar (1964-1985).
Após a sessão, a concessão de anistia foi comemorada. "Lavou a minha alma", disse Celeste Fon logo após ter sido declarada anistiada política. Presa junto com o pai e o irmão no final dos anos 1960, ela lembrou que foi constantemente vigiada pelo regime, mesmo após a anistia de 1979.
Funcionária concursada do Banespa, Celeste afirma que foi colocada na "geladeira" por duas décadas – escriturária, aceitou ser deslocada para a biblioteca para não ser despedida. Lá, não podia sequer ter contato com outras funcionárias do banco.
A primeira a ter o processo julgado neste 8 de março foi a psicóloga fluminense Vitória Lúcia Martins Pamplona. "É uma vitória simbólica de todas as mulheres. Que não se repita jamais o que aconteceu conosco durante a repressão", disse Vitória, que foi demitida da Infraero, presa e torturada na década de 1970.
Além de Vitória e Celeste, outras 13 militantes da luta contra a ditadura também foram declaradas anistiadas políticas. A sessão em homenagem às mulheres foi presidida por Sueli Bellato, vice-presidente da Comissão de Anistia, e a mesa de julgamento era composta por quatro conselheiras. "É preciso que se saiba o que aconteceu, para que nunca mais aconteça", afirmou Sueli, em referência às atrocidades cometidas pelo Estado contra milhares de mulheres durante o regime militar.
Segundo ela, ainda há muita coisa que não veio à tona – torturas, seqüestros e estupros. "Iniciativas como esta da Comissão de Anistia são importantes para que se revele o que aconteceu. Os jovens precisam saber que foi duro lutar pela democracia vigente hoje no país", completou. Esta é a terceira vez que a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça homenageia as mulheres no dia 8 de março.
Na sessão de julgamento de hoje foram anistiadas: Ana Lima Carmo Montenegro, Celeste Fon, Maria Cândida Raizer Cardinalli Perez, Isa Mariano Macedo, Maria Beatriz de Albuquerque David, Maria da Glória Lung, Denise Fraenkel Kose, Vera Lúcia Marão Sandroni, Elizabel Maria da Paixão Couto, Maria Alice Albuquerque Saboya, Vera Lucia Carneiro Vital Brazil, Vitória Lúcia Martins Pamplona Monteiro, Maria Inêz da Silva, Maria Albertina Gomes Bernaccio, e Helena Sumiko Hirata.
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